Em defesa da democracia na universidade

Nota Oficial 1/2019

O Sindicato de Arquitetos e Urbanistas do Distrito Federal – ArquitetosDF – apoia toda iniciativa de organizações populares que visem a democratizar a discussão sobre o Serviço Público, sobre o direito ao Ensino Público gratuito e universal, sobre o acesso a bens públicos e sobre a liberdade de expressão.

Ganhou vulto um recente debate entre estudantes, professores e Direção sobre o fechamento e demolição de uma praça adjacente à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília – FAU-UnB. A notícia foi veiculada com evidente viés criminalizante da Universidade – tratada como local de “traficantes” pelo noticiário. Trata-se de uma ação vinculada a grupos externos que objetivam nada menos que a extinção da universidade pública em nosso país.

O atual Governo Federal, a serviço de poucos, aprofunda o desmonte do Estado, a destruição da Educação e da Saúde públicas, valendo-se para isso de ataque sistemático ao funcionalismo público.  Tradicionais focos de luta política, as instituições de Ensino Superior – como a UnB – são alvos preferenciais de tais políticas. 

A resistência a elas deve ser travada dentro da própria Universidade, atendendo ao princípio da autonomia universitária. Cabe à organização de professores, estudantes e servidores a garantia de manutenção do sistema de eleições diretas, tanto no âmbito departamental quanto geral. A democracia interna, o amplo debate, o atendimento às demandas de todos, devem ser instrumentos capazes de garantir que grupos contrários à Educação Pública, gratuita e universal não se apossem dessas instituições. Os desígnios do ensino superior devem ser traçados por docentes atendendo os anseios dos alunos – responsáveis pelas atividades de ensino, pesquisa e extensão necessárias à nossa sociedade. Afinal, a reboque da ofensiva contra professores e alunos segue-se a ofensiva contra os próprios servidores – tal como já vem ocorrendo em outros órgãos do Serviço Público Federal. 

A ausência de diálogo interno, afinal, constituiria um atentado à própria autonomia universitária em favor de uma agenda externa já veiculada na Imprensa ao noticiar o episódio. O objetivo de tal viés não é outro senão a criminalização do movimento estudantil e a desqualificação da Universidade como espaço de ensino, pesquisa e extensão – conforme anunciado por autoridades do atual Governo Federal, que caminha a passos largos para implementar uma ditadura no Brasil. 

Na condição de entidade de classe de arquitetos e urbanistas – docentes e discentes – os ArquitetosDF vêm a público reforçar a legitimidade das assembleias do Movimento Estudantil e de suas representações democráticas, bem como suas deliberações tiradas em assembleia como a realizada no último dia 10. Acredita-se que, em seu conjunto, a Administração da FAU e seu corpo docente têm plena capacidade de conduzir o amplo diálogo com o corpo discente conforme sinalizado pela Vice-Diretoria da FAU-UnB. Com organização e mobilização, a comunidade acadêmica há de garantir a democracia na universidade.

Brasília, 16 de março de 2020.

ArquitetosDF
Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Distrito Federal