Mês do Orgulho LGBTQIA+: Amar, ter dignidade, trabalhar e viver sem medo!

O mês do Orgulho LGBTQIA+ para além do direito de amar é sobre a luta pelo direito de viver sem medo! É sobre ter sua dignidade respeitada, ter onde morar, onde trabalhar e poder usufruir da vida social plena.

Como profissionais de arquitetura e urbanismo temos a oportunidde de fazer cumprir nosso papel social em nossa atuação com e para a comunidade LGBTQIA+.

Para falar um pouco mais sobre isso, o Arquiteto e Urbanista Euclides Carvalho contou para a gente um pouco da sua trajetória, enquanto profissional LGBTQIA+ e como isso o levou à atuação junto ao Instituto LGBT+ de Brasília,  organização da sociedade civil com o objetivo de defender, promover, fomentar e difundir a cultura, o legado cultural e artístico e a memória da comunidade LGBT+ brasileira.

“Se em 2016 me dissessem que em dois anos eu estaria na Lapa entrevistando uma travesti, levemente alcoolizada, eu duvidaria.
Oi, me chamo Euclides! Sou Arquiteto e Urbanista formado pela Universidade Paulista -UNIP de Brasília. Durante toda a minha graduação, tive a famosa dúvida de qual seria o meu tema de trabalho de conclusão de curso. Precisava ser algo que eu acreditasse, que se comunicasse profundamente com a minha trajetória.
Por que não um Centro de Acolhimento Social e Apoio à Políticas de Orgulho e Cultura LGBTQIA+ (CASAPOC)? Um lugar com um programa de necessidades de um abrigo combinado a um centro cultural.
Então comecei minha pesquisa. Na etapa de estudo de caso, fui ao Rio visitar a Casa Nem. Na época, era um dos poucos abrigos exclusivos para a comunidade LGBTQIA+ do país.
Chegando lá, a travesti citada acima me questionou o que eu estava fazendo de concreto pela minha comunidade local, além de um mero TCC. Eu não tive resposta.
Movido pelo choque de consciência de classe que aquela visita havia me dado, comecei a procurar mais informações referentes à cena de ativismo do Distrito Federal. Em uma dessas buscas, esbarrei com uma notícia de que o @institutolgbt estava construindo um acervo de livros feitos por/para ou sobre o vale.
Mandei um e-mail para um dos organizadores. No pior dos cenários, sairia com uma bibliografia mais rechonchuda para o meu trabalho. Fui muito bem recebido por todo mundo e ao conhecer o coletivo, me apaixonei. Era como ver parte do meu TCC tomando forma na vida real.
Aos trancos e barrancos e através de parcerias, o Instituto conseguiu a concessão do uso temporário de duas salas na casa da cultura da América Latina da UNB para se tornar um projeto materializado e com um endereço próprio.
Me voluntariei para a elaboração do projeto de ocupação e, coletivamente, construímos o terreiro cultural: O Ateliê Cassandra Rios, que é uma pequena biblioteca que veio a receber incontáveis oficinas de leitura e escrita e o Ateliê de dança Carlinhos Machado, onde foram oferecidas oficinas de dança, teatro e canto coral, completamente gratuitas.


Após a elaboração desses espaços, tão pequenos e com programas tão diversos, fiquei responsável pela ambientação e produção dos eventos. Foi a primeira vez que me encontrei em um ambiente com pessoas que me entendiam. Que partilhavam da minha vivência e somavam. Me senti pertencendo. Minha orientação sexual e minha expressão de gênero não precisavam ser explicadas, justificadas, ou suprimidas como em toda experiência profissional que havia tido até então.
Estávamos ali para resistir, trazer melhorias para o nosso futuro através da memória do passado da nossa comunidade. Atualmente, o instituto oferece cursos e palestras on-line. Estamos tentando sobreviver à pandemia como podemos, e toda ajuda é bem-vinda.”

Por: Euclides Carvalho

Localizado no Setor Comercial Sul, o Terreiro Cultural do Instituto LGBT+ afirma e defende a região central de Brasília como local histórico de convivência LGBT+ e local de fomento da economia criativa e da cultura no Distrito Federal, temas que se relacionam com nossa atuação. Com poucos anos de fundação, o Terreiro Cultural se tornou um importante local de pesquisa, fomento e difusão dos direitos culturais da comunidade LGBT+ do Distrito Federal e da Ride. Você pode conhecer mais sobre aqui: https://instituto.lgbt/new/

O Sindicato de Arquitetos do DF está de portas abertas para que você conte também sua história e para lutar ao seu lado enquanto for necessário.