A Arquitetura e a sociedade do desempenho

Rafael Tavares

As redes sociais se tornaram um meio de promover a igualdade entre profissionais liberais por balizarem através de algoritmos uma sensação de “simetria” na forma como é difundida a produção de cada um. Tomando como exemplo o Instagram, uma das redes sociais mais utilizadas no momento e também uma ferramenta de trabalho para grande parte dos profissionais. Nela, independentemente da produção, do escritório ou do tipo de serviço oferecido, as imagens são mostradas com o mesmo tamanho e da mesma forma sem nenhuma distinção. Supostamente, grandes e pequenas empresas seriam tratadas de modo horizontal. A única coisa que o profissional deveria fazer seria compartilhar ao máximo sua produção do momento, mantendo-se assim em constante exposição. Continue lendo “A Arquitetura e a sociedade do desempenho”

Tribuna Livre

Luiz Philippe Torelly

A imprensa sindical teve desde os seus primórdios, um papel fundamental na organização dos trabalhadores e na luta por melhores salários e condições de trabalho. Surgida nas duas primeiras décadas do século XX, teve entre seus principais protagonistas, Edgard Leuenroth, anarquista e gráfico, fundador de “A Plebe”, um dos primeiros jornais a defender exclusivamente os direitos dos trabalhadores.

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O Museu da Bíblia e o milagre da ressurreição

Danilo Matoso

Quando de seu surgimento, no século 16, o protestantismo reformava a fé cristã sobretudo por meio da interpretação direta da bíblia pelo fiel. Aboliam-se santos e a intermediação sacerdotal, abolia-se o culto a imagens. O governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) lançou no último dia 18 a pedra fundamental do “Museu da Bíblia” na área no Eixo Monumental de Brasília. Ao fazê-lo, ironicamente, canonizou “São Oscar Niemeyer” em nome dos evangélicos. A obra seria executada a partir de um croquis sumário elaborado na década de 1980 por nosso arquiteto maior, falecido em 2012. Como é sabido no meio profissional, o desenvolvimento de um projeto e o acompanhamento da execução da obra são parte de sua concepção. A execução de qualquer obra de arquiteto falecido não pode ser tomada senão como falsificação ou, no melhor caso, uma alegoria da ideia apenas esboçada pelo autor. Com a obra, o governador pretendia afagar seu amplo eleitorado evangélico, mas acabou perpetrando uma ofensa não apenas aos religiosos, como também a toda a categoria dos arquitetos e à população de Brasília.

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